
Esse mês meu primo se torna DOUTOR, e como é bom perceber que somos uma família.
Meu nego, a família pode te fazer uma pessoa melhor, mas também pode acabar com a sua vida. E a minha família me fez uma pessoa melhor, uma pessoa com preceitos, e uma família que me mostrou o que deveria fazer, mas sem me obrigar muito.
Estranho dizer isso, mas chega um momento da vida em que sabemos que eles estão ali do teu lado e ficam só te olhando e você vai andando, andando; às vezes olha pra trás atrás de um colo, de uma palavra e eles só ficam te olhando.
A minha familia se divide assim: Família da Mãe e Família do Pai.
A Família da Mãe é mais, digamos insensível, apesar de se amarem muito. Não são muito de demonstrar afeto e carinho pelos entes queridos, filhos e afins. Se preocupam com as crias, mais se preciso for, fingem que não estão nem aí. Eles podem até deixar os seus passarem penúria, mas entendam bem, "eles podem" e mais ninguém. As genitoras dessa família são firmes e não esperem um abraço ou um beijo sem que realmente mereçam (que eu me lembre, minha mãe nunca me beijou, assim, do nada). Beijos só acontecem em aniversários ou quando alguém vai viajar e passar alguns dias fora.
É uma família grande com 09 irmãos, mas um não interfere na vida do outro, como eles mesmos dizem: _ Somos sistemáticos e não gostamos das coisas erradas...
E eu herdei um pouco dessas mulheres. Fora o rosto da minha mãe, eu também sou sistemática, não gosto muito de conversa com quem não conheço e já sei de longe quando a pessoa é gente boa ou não.
O pessoal do bairro me chamavam (e deve chamar ainda) de metida.
A maioria puxaram pro meu avô. Porque ele era ssim, tinha o gênio forte e por ser assim também, sempre fui a queridinha do vô.
Minha avó, pelo que eu me lembre, sempre foi muito boazinha e uma coitada, meu avô judiava dela, minhas tias mais novas maltratavam-na, coisas de adolescentes fogosas e folgadas.
Somos também em uns 20 primos, e também herdamos a tal "negligência parental". Quase não nos vemos e que nos amamos e isso é fato, e pra mim, isso é normal.
Brincávamos na rua, compartilhávamos artes e idéias, mas o que nos restou foi a lembrança. Porque foi cada um pro seu lado, uns fumam e outros não suportam fumaça, outros casaram e outros separaram... E a vida continua.
Agora, a Família do Pai é a perfeita...
É carinhosa, acolhedora, tem o amor e o respeito nos olhos.
Sabe, se um dia venderem a casa do meu vô, talvez sou eu quem mais irá sofrer. Porque cresci ali, brinquei no quintal de terra.
Ajudava minha vó a semear as plantas para vende-las no dia das mães e em finados.
Era eu que ficava pendurada no portão esperando meu 'tio tião' chegar de viagem.
Sempre roubei doces da geladeira da vó (e como minha vó era linda!), é a mulher mais linda que já vi até hoje, mas linda que a minha mãe. E como ela era brava e mais brava que a minha mãe. E ela batia na gente, mas também ensinava sobre as estrelas, e falava dos cometas. Foi ela que ficou comigo para ver as chuvas de meteóros e também o cometa de Halley (alguém viu?!), ela que me falava das rosas e das orquídeas que hoje moram lá em casa.
Era na casa da Família Corrêa que todo o domingo se uniam pra almoçar os filhos e os netos, e que depois do almoço as tias nos "obrigavam" a dormir e depois, como recompensa nos davam doces caseiros que já haviam sido furtados por mim, a neta mais velha...
Minha avó cuidou de mim e sempre que possível me mimou ao máximo... Era o colo dela que eu procurava quando as brigas com a mãe me magoavam e eu tinha vontade de fugir e fugir, pra mim, sempre foi pra casa dos meus avós.
A Família Corrêa eu posso abraçar sem vergonha e até hoje posso pedir: _Bença tia, bença vô, bença tio...
E, lendo o convite do meu primo, Dr. Nahim, me lembrei, como num filme, de tudo isso, e de como hoje eu dou importância para a minha família.
E minha família não é a mais perfeita, pelo contrário, está bem longe disso, mas é a mais bonita.
Familia do Pai e da Mãe: AMO VOCÊS!!!!